Ensopada por uma espécie de luto e uma dura autenticidade
- Maria Rocha
- 26 de mai. de 2023
- 1 min de leitura
Atualizado: 9 de jan. de 2024
essa semana foi uma insensatez
atarantada babélica desordenada
alimentei as paranoias
ofereci um espaço para fazerem uma festa dentro de mim -
fogos bombeavam no peito
uma cachoeira escorria pela maçã do rosto
embebedei o desejo de cavar até as entranhas -
sugada pela estranha sede de esmiuçar o sofrimento
balbúrdia interna generalizada descontrolada
que limitam o sono e exigem que façamos força para simplesmente respirar
achei que o mundo estivesse esgotado da minha existência
estimei que a lei da gravidade fosse
me descartar do seu complexo manual de funcionamento
supus que os íntimos estivessem se esquivando do meu corpo
lágrimas de uma criança ferida e abandonada
ânsias de um ser sufocado
por seus próprios medos
tensão de uma mente inundada em angústias - inventadas ou não
não era o mundo que se cansava de mim
era eu que me sentia farta
do meu próprio organismo e consumida pela selvageria interna
exaurida das típicas obsessões
dos mais intensos delírios
exausta da destruidora procrastinação
a ilusória infertilidade
os lugares que ia e as pessoas que via
a momentânea passividade
o corpo que só se deitava e pouco existia
tédio
árida com o desrespeito ao meu próprio espaço
ao meu próprio tempo
à minha própria presença
cansada de me afogar
– constantemente –
na enchente do meu mar
eu corpo-alagado doente de si
estranha ao fogo
alheia ao vento
mumificada.
-
vou me levantar
espreguiçar as estruturas
tomar um banho quente
deixar a água escorrer
lavar cada parte do pé
desembaraçar o cabelo
me alienar na brecha entre uma morte e outra




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